Politics

Semler quer que Lula entregue a política econômica ao PSDB. Pode? – Paulo Moreira Leite


“Numa articulação que ainda não digeriu a candidatura a vice de Alckmin, a entrega da área econômica será um fardo difícil de carregar”, escreve o jornalista


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Antes que os fanáticos de composições à direita fiquem animados demais, é bom refletir sobre a mais recente manifestação política do empresário Ricardo Semler.

Todos sabemos que Semler é um raro representante de sua espécie com coragem para defender publicamente as próprias convicções. Isso confere importância particular a seu apelo ao empresariado brasileiro, publicado pela Folha (13/3/2022).

Convencido da inutilidade de tentar construir uma candidatura de terceira via para disputar a eleição presidencial, Semler propõe um acordo do empresariado com Lula, para abrir um possível governo do PT aos economistas que assumiram a liderança de oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso.

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“É hora de negociar com Lula um Armínio Fraga, um Pedro Malan, ou um Persio Arida. Hora de financiar um caminho saudável, manifestar-se contra a barbarie burra em que nos metemos por falta de visão”, escreveu Semler.

Essa manifestação ocorre num momento preciso. De um lado, se assiste ao crescimento da candidatura Lula, favorito em todas as pesquisas e cenários.

De outro, se assiste ao “funeral do PSDB”, como define com clareza científica a professora Maria Hermínia Tavares de Almeida, acadêmica da USP de reconhecidas identificação tucana.

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Nesta conjuntura, Semler defende a entrega da política econômica de um possível governo Lula — coração e pulmão de qualquer governo — ao trio de ferro do Plano Real de FHC, que pavimentou a guinada de um projeto de  social-democracia à brasileira em direção ao Consenso de Washinton e aos programas de austeridade do FMI.

Uma curiosidade. Hoje uma voz critica dos princípios economicos que orientaram o governo FHC, André Lara Rezende ficou de fora da relação de economistas que Semler gostaria de negociar com Lula. Coincidência?  

Podemos imaginar um cenário futuro. Lula ganha a eleição, num ambiente de festa popular após uma jornada dramática que incluiu 580 dias em prisão solitária em Curitiba. Num gesto de boa vontade extrema em relação a seus adversários políticos, resolve chamar os gestores que alimentaram a política economica de 2016 para cá para assumir o timão de seu governo.

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Pode? Eu acho que não.

E é até feio imaginar que se cogite uma solução dessa natureza para formar um governo que tem a missão de dar início ao resgate da soberania nacional e retomar um novo ciclo de desenvolvimento, interrompido pela grande coalização reacionária que assumiu o poder no Brasil em 2016.

Numa articulação que ainda não digeriu a candidatura a vice de Geraldo Alckmin, a entrega da área econômica será um fardo difícil de carregar.

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